Caso Benício: documento aponta que médica reconheceu erro ao prescrever adrenalina que levou criança à morte em Manaus
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Um documento anexado ao processo administrativo que investiga a morte de Benício Xavier de Freitas, de 6 anos, revela que a médica responsável pelo atendimento reconheceu ter cometido um erro ao prescrever adrenalina, medicação considerada inadequada para o quadro apresentado pela criança. O caso, que comoveu o Amazonas e gerou forte repercussão nacional, continua sendo acompanhado de perto por autoridades de saúde, entidades médicas e pela sociedade civil.
Benício deu entrada na unidade de saúde após apresentar sinais de alergia. Segundo familiares, o menino estava lúcido, conversando e respirando bem ao chegar ao hospital. Minutos depois da administração do medicamento, seu estado se agravou de forma repentina, levando à parada cardiorrespiratória.
Médica admitiu conduta inadequada, aponta documento
No relatório encaminhado à direção da unidade, a médica afirma ter interpretado incorretamente o quadro clínico. De acordo com o documento:
“Houve uma interpretação equivocada do quadro alérgico. A administração de adrenalina não era a conduta adequada naquele momento.”
Especialistas em emergências pediátricas afirmam que a prudência é fundamental em casos de alergia leve ou moderada. O pediatra e emergencista Dr. Luís Arantes, ouvido pela reportagem, explica:
“A adrenalina é um medicamento vital em reações alérgicas graves, mas perigoso quando usado sem critérios rigorosos. A avaliação clínica precisa ser minuciosa, especialmente em crianças.”
A toxicologista Marília Gama reforça a importância de protocolos mais rígidos:
“Erros de administração medicamentosa em pediatria costumam ocorrer por decisão precipitada. A diretriz é sempre confirmar sinais claros de anafilaxia antes de recorrer à adrenalina.”
Família relata falta de informação e atendimento fechado
Familiares afirmam que não receberam explicações completas sobre o estado de Benício após a aplicação do medicamento. A mãe, profundamente abalada, relatou:
“Meu filho entrou caminhando, conversando. Em poucos minutos disseram que ele estava em parada. Não nos deixaram acompanhar nada.”
O pai, igualmente emocionado, reforçou o impacto da perda e a necessidade de respostas:
“Não queremos vingança. Queremos verdade, transparência e que ninguém mais passe pela dor que estamos vivendo.”
Foto arquivado pessoal da família
Investigação mobiliza autoridades e repercute nas redes sociais
A comoção pública ganhou força nas redes sociais, onde milhares de pessoas demonstraram apoio à família e cobraram maior responsabilidade das instituições de saúde. Especialistas em políticas públicas lembram que o episódio expõe fragilidades estruturais.
“Quando um erro desse tipo acontece, ele raramente é isolado. Geralmente indica falhas de protocolo, treinamento insuficiente ou excesso de demanda”, analisa o especialista em gestão hospitalar Eduardo Paim.
A Secretaria Municipal de Saúde de Manaus confirmou a abertura de um processo administrativo e afirmou que está revisando os protocolos de atendimento emergencial pediátrico. Já o CRM-AM instaurou um procedimento para apurar possíveis infrações éticas.
A jurista especializada em direito médico Dra. Érica Furtado afirma que investigações desse tipo tendem a ser longas, mas reforça a importância do processo:
“Quando um profissional reconhece o erro, isso não encerra o caso. É dever das instituições analisar se houve negligência, imprudência ou imperícia, além de avaliar a segurança do ambiente de atendimento.”
Um caso que reacende o debate sobre segurança pediátrica
A morte de Benício reacendeu debates sobre protocolos de emergência em crianças, principalmente em unidades com grande fluxo. Especialistas defendem capacitação contínua e revisão dos fluxos de atendimento.
“A pediatria exige atenção específica. Uma decisão incorreta pode ser fatal em segundos. O treinamento constante é imprescindível”, afirma a enfermeira especialista em urgências pediátricas Luciana Mourão.
Foto arquivado pessoal família
Enquanto aguarda os desdobramentos oficiais, a família mantém o pedido por justiça e por mudanças concretas no atendimento de crianças em situações de emergência.
“Se a morte do meu filho puder salvar outras vidas, queremos que isso aconteça. Não podemos permitir que outra família passe por essa tragédia”, disse o pai.
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